Wednesday, December 17, 2014

Monday, December 15, 2014

Olha-me pelos olhos e não pelos poros
Dá-me palavras com esquecimentos dentro delas
Sussurro na pele até ao outro lado do mar
Não sei onde fica o outro lado
Encurta a distância com o corpo
Sem que o corpo se toque
Vinga-te nos lábios até adormecer
Até o rosto doer

Olha-me nos olhos até que termine o cigarro
Depois, o tempo morre dentro dele e mentol com malvas
Depois o tempo ressuscita com os dedos na alma
E a sala dança uma valsa a exterminar o frio
A gola "degola"o obvio da palavra
E o quarto adormece com uma almofada branca

Olha-me invisível nos ruídos das vozes que pernoitaram na minha casa
E na minha cara anoiteceram palavras e eu a desejar caminhar
Com o meu corpo a tocar o passeio que desmaia no rio silencioso
Silencioso rio que me faz transbordar

Olho-me nos olhos e o mar está perto...


Thursday, November 27, 2014

Tenho os pés molhados de te dançar na chuva

Saturday, November 22, 2014

Não me procures para me encontrar
Encontra-me do lado esquerdo do hábito
Não me encontres com madrugadas pouco oportunas
Porque sadia é a noite quente
Não me encontres com poemas dificeis
Não te despojes com poemas fáceis
Em que a palavra se abraça perversa
Procura-me porque sim
Porque em todos os instantes foste tu 
Porque acordar é tudo no momento
Porque os meus olhos se escondem nos teus braços e não sabem como fugir...

Friday, November 14, 2014



Corpo seco
Corpo da terra
Telúrico
Mais olhos que palavras
Amor rude
Força terna
Carinho tenro
Dedos duros, fendas até tocar a árvore que morre
Até tocar sempre no silêncio
Até tocar a palavra depois das rugas e cabelos brancos e com lágrimas instantes
E chorar o Amor no tempo tarde demais
Uma varanda a tocar as nuvens e o corpo frágil
E o silêncio das tuas mãos fortes a segurar para o vento não levar
A tua verdade crua generosa e honrada
Amor pelas sementes puras
Com planícies, sóis quentes para acariciar à distância o coração
Procura a minha rua, não tenhas medo
Encontraste eu estou aqui
Encontraste
E visitaste as minhas paredes, o chão de madeira,sorriste,sorrimos,abraços e a cidade esculpida
Encontraste nos teus passeios solitários
Herdei-te nos passeios solitários, o silêncio
Telúrico a tocar céu
O pouco de mim que posso dizer de ti
O desejo dos teus olhos estão perto de encontrar
A Paz que que queres tocar

Avô (José Soares Pires)


Wednesday, November 12, 2014

Vou deixar-te porque amanhã quero ser Eu com o meu cabelo novo...

Saturday, November 08, 2014

Esta é a memória do Presente, o instante
Em que tudo se toca e me apetece tocar alguem, dentro e fora
Não sei qual o limite para fechar os olhos e começar de novo para contornar dedos e lábios, pele fucsia ou transparente...
Em que de repente peles são noivas uma da outra sem palavras
Quase a tocar a verdade para serem mentira uma da outra
Quase tudo para começar de novo no sentido oposto
E mais uma memória ao som do mar para me atormentar segredos vivos
E mais os teus olhos na distância de uma eternidade com tempo contado
E sou eu com semblantes de todas as maneiras com o coração vivo
E és tu  no desconhecido a apagar chagas invisiveis
E és tu que não sei quem és a procurar-me dentro
E sou eu a procurar-me mais do que palavras...
O piano termina...eu também não

Saturday, August 02, 2014

Tudo existe,tudo é maior
Se as gotas se cruzam com dedos cruzados
Se os olhos não se aniquilam para tocar palavras
Se tu és para eu não ser
Se eu sou para tu não seres
Se somos para nos contornarmos
Se existimos para impossibilidade
Peter Pan beija os lábios prateados
E logo as asas se queimam nas coxas silenciosas
Tudo existe,tudo é maior
quando o Amor não é
Dentro das palavras
Mas no coração
E o coração fora dele
Tudo existe, tudo em pouco ou em menor maior
De poucas palavras em mal menor ou mais
E a tua mão que beijo é o instante de qualquer coisa

Saturday, February 15, 2014

Sento-me num Sol secreto  á espera da sombra
O som do mármore no corpo solene espreita no fumo solto, eloquente de uma boca semicerrada
A noite permanece sentada, aguardando o Destino de se aproximar,deliquente
nas formas que ainda não se sentem, que não se tocam
Sento-me no Sol secreto, descoberto a entrar pelas minhas rugas, pelas gotas secas da minha pele, pelos  resquícios de uma praia deserta com dois corpos nus enfrentando o som das ondas
A noite permanece sentada, aguardando o Destino de se aproximar, silenciosa
A memória repete-se, fragmentada, e regressa ao lugar do frio e do quente, do abraço e do beijo, de um comboio a naufragar num líquido de sapatos pretos envernizados
Uma viagem contínua mas suspensa
Um viajante que cerca as suas palavras no deserto  raro de areia inundada de pegadas
Sento-me no Sol secreto a guardar na palma da mão a ultima sombra
Aquela que a noite irá roubar com rubor displicente
Vagarosamente, os dedos das mãos,
Vagarosamente o braço a pender
Vagarosamente o ombro acompanha
E todo o corpo desliza num suspiro cálido
O vazio

E a promessa da Alma

Friday, January 31, 2014



Silêncio porque és tu
Silêncio porque não questionas
Silêncio porque amas incondicionalmente
 e os dedos dos pés,das mãos são para falhar
Silêncio porque Amar é falhar
Silêncio sem deturpações vivenciais
Silêncio porque me amas sem convenções
Silêncio porque amas para além do desalento 
Silêncio porque te amo com o conhecimento que me deste na pele, na respiração, na quase morte da melancolia
Silêncio porque me abraçaste para caminhar pé ante pé nas pedras sozinhas
Tantos Silêncios felizes ou infelizes a caminhar no riso
Tantas palavras ao ouvido que ecoam grandes imperfeitas me fizeram feliz com o Silêncio

Tu és o meu Silêncio mais perfeito, o deserto mais perfeito
Nesse deserto sombrio sem movimentos, sem coisas palpaveis eu estou cheia
De ti, das tuas palavras, vivas ou mortas, felizes ou imperfeitas
Porque comigo estás a tocar todos os gritos ou sorrisos~
Até o espelho da parede que pode cair ou o beijo seguinte que te dou quando posso estar contigo para te acordar de um sono, com outro beijo ou um copo de leite e mais um beijo
Silenciar os teus movimentos mais mundanos e ser eu a gritá-los e poderes descansar das tua insónias
E na manha seguinte ser eu a tua guia das horas e minutos que se apertam
Ès o meu Silêncio e eu o teu com todas as almas e vísceras a gritar por este Amor mais que dito incondicional
Simples, porque é ...
Silencioso   

Na penumbra desse monte vadio em que te escondes
Está o grito das mulheres de lenço preto que apagam as lágrimas nos lenços secos
Na penumbra desse monte baldio está o corpo das vontades vivas
Chora o corpo presente , choro o corpo nascente
Aquele que todos os momentos foram o toque  da tua respiração
Dos sorrisos fertéis para um pé na toada da terra
Da celebração das coisas todas e todas elas juntas
Da mesa farta de coisas belas e líquidos acentuados
Uma penumbra de memorias fúnebres e esfumaçadas
Um dedo ao olhar que te amo
Um beijo ao jeito de despedida escondido no lençois
Pouco etéreos ou práticos só esses, aqueles a que não se ditam nome
Porque são viajantes e não ausentes sob a forma que não se quer dar
Sorrio ao literar estes dedos numa consolação
Verdadeira

Porque é esta a Paz que sinto no Caos que me faz Amar sempre

Friday, January 17, 2014

Abrigo-me lentamente no teu poiso solene, abrigado
Abrigo-me no teu instante nobre e silencioso
Abrigo-me no teu sangue sereno,rebelde,incondicional
Abraço aos poucos de poisos a uma distância tão longe e tão perto
a tua voz a um abrigo de silêncios com Paz
a tua voz bela, com abraços
Esses abraços com vozes profundas mesmo distantes
As palavras sós, atropelam-se porque não falam mais do que tu
Eu abrigada nessa distância segura de um abraço teu
E ao mesmo tempo sempre, abrigada, segura
Ès mais que as palavras ou coisas ditas
És mais do que tu em ti
És mais do que eu porque me sentiste
Eu sou porque me sentiste
Eu sou porque estás em mim
Tu és tudo com tudo
Coração,Grito, Paixão, Amor, Força,Dor,Amor,Amor,Amor
Sem palavras
Só és
Instantes Perpétuos, sempre
Abrigo-me todos os dias no teu colo de embalar
Ainda que não saibas
Sabes
Abrigo-me no teu sorriso, no teu cabelo de Domingo
No teu sono alerta
No teu beijo na minha boca
Na minha manhã acordada
No espelho que fala
Abrigada sempre no teu Silêncio
Nas noites felinas e o teu colo invadido
E estás sempre em Silêncio
Com todas  as palavras feitas ou mortas
E choro vagarosamente, com cuidado porque não te quero magoar
Porque todas as palavras onde me abrigo são tão poucas perto daquilo que me fazes sentir
Sinto-te com quase tudo

Friday, October 04, 2013

Nick Cave and the Bad Seeds- Jubilee Street

Habitar o céu e a terra, habitar os labirintos navegantes
Estalar os dedos como arma os dedos
Os olhos rosnam

Aos poucos se pertence a uma historia desmembrada
Aos poucos se disserta o perpetuar das coisas
Hoje se habitam, amanhã deserdam-se

O cigarro tem uma pequena fuga

Friday, June 21, 2013


Dos rendilhados de palavras de rés do chão que soam a francês
Dos perfumes ornados a garrafas vazias
 as vozes existirem com insistência nas paredes
E as memorias das palavras que disseste serem tuas e minhas e soarem a longe
Porque estás longe
Os teus medos em comunhão com os meus não estão longe
Cheiram a perto
Entre o mar e o rio
Tu soas-me a mar e desejas partir
Vou soar contigo porque soas a mim, soou a ti
E vamos soar em simplificado, com um gato a entrar no regaço do leito e a história a ser eterna
Nas coisas ditas importantes, nas outras que se dizem nem tanto...
São sempre coisas...
E somos sempre nós,entre nós, dentro de coisas...





Tuesday, April 09, 2013

Estou num lugar onde não me sinto
Estou num lugar onde me entendio a estar, vagarasomente
E com as palavras
Me entretenho em tédio
E percebo onde quero estar
É no tédio onde me segredo
No tédio segrego os silêncios que virão
que estão Presentes antes de estarem
Antes das cinzas já se condenam a cinzas
Antes do pó foram flores
Antes de mim já me imaginei
O sopro
em sufoco
O pudor está lento
e o joelho não mexe
As Almas vão voar onde o Império não se irá sentar

Wednesday, April 03, 2013

E assim se ergue uma rocha
Os olhos erguem-se mais baixos
Para o chão que assenta os pés
Os lábios a tocar o chão
A queda
Em desequilíbrio
A queda
Com o mundo presente
Tu sentado a dormir
E os ossos com janelas
As tuas mãos com raízes
Telurico castigo



Monday, January 14, 2013

Toca o dedo na relva
Lava o chão com cinzentos de fúrias
Foge aos poucos
Amanhã e depois de amanhã e no dia seguinte e no dia a seguir ao outro e ao outro que não queres saber
Todos os dias são dias
Com e sem cheiro , com e sem palavras, com silêncios a mais
Um dia igual ao outro sem sobras, sem sombras
E as coisas remexem-se e revoltam-se e a tua vontade nessas coisas todas
Com os bichos e o seu eco, com o esqueleto a tocar a morte e mais um bocadinho
Com as voltas e o toque do sino
A repetição e o sinal e as munições
A garganta e essas, para além delas com mais que tudo
E a fada do arco íris que morre rapidamente com um cigarro à porta
E as  coisas soberbas e sublimes que me entendiam pelos outros e não por elas
E o tédio vago e vagaroso de querer desaparecer
um desejo ausente adolescente de minar os dentes felizes
nas coisas que são palavras e  desenhos foscos
a lente que fogueia o silêncio que já foi ouvido
e na morte para a eternidade com flores de plástico quase a querer desaparecer
Dentro de nós somos iguais, com coisas e fortunas feias e alegremente lascivas
Fartas de o cão ser igual ao dono
E de o dono não seres tu
Cresce dentro do teu abismo e vomita para dentro do outro e serás feliz
Cresce dentro do teu medo e vomita para dentro do outro e serás feliz
A purpurina pobre transforma-se em cinzas e a gelatina afaga-te a língua
E assim se fez o Deus Humano
Mississipi ou lá o que o for
Dentro e fora

Thursday, December 27, 2012

Onde estamos nós para além de passos pequenos que se diluem em pequenas frases?
Os passos levitam entre lençóis transparentes
O acordar ao adormecer, o adormecer ao acordar
o duelo dos perdões
as espadas em dedos férteis
A insónia
Os seus mártires em pousio
O solo incandescente, quase adormecido
a dançar em braços apertados com um tronco de memórias
Lê-me
Incógnito
Quase cego
Por entre as gorduras ofegantes das coisas boas e o esqueleto do esquecer
E estamos nós em passos pequenos
a esmagar lentamente o que fomos em perpétuo ruído
o bem e o mal
o silêncio e o absurdo
o toque e a devastação
o Dilúvio e o Paraíso
o Encontro e a Morte
o Terço e o Nada
Ouvindo aos poucos, com sem quase sentido para não soar a coisa não Eterna
Eu sei  onde adormeço os meus pés


Monday, November 12, 2012

Onde ressoei
Onde estive em leves passadas ao cair da noite, na avenida larga de sapatos vermelhos
Onde vos vi
Ao compasso de degraus com barbas escondidas
Os cobertores numa recita desconhecida
E os olhos ao sinal verde avançam para espreitar os olhos invisiveis
Passo
Estão comigo
Passo
Estão comigo
Passo
Eu indo
Passo atrás
Eu estou
Passo atrás
Olhos
Olhos
Gesto
Palavras
Eu vou
Nós vamos contigo
Obrigada

Avenida. ,eu o cão e o homem


Monday, October 15, 2012

Solander - Generations Lost

Os sonhadores de sonos perpétuos visitam a cidade
O rio ruge a sua ferida
E as almas das águas profundas abraçam a calçada
Ouvem-se vozes ao fundo
Aquelas que se calam na vingança do dia eterno
O jardim das Oliveiras cantam estáticos
sentados nas suas raízes inférteis
A terra treme devagar
E os sonhadores de pés levantados a tocar as luzes ao fundo, para além do rio
Olham os olhos uns dos outros, revolucionam-se
Escravizam-se nos seu sonhos
tocam o mel
A barata está morta
A osga esconde-se
E a casa é já ali, no sossego do sono
Onde a janela tem um candeeiro no seu lado direito

Thursday, October 11, 2012

Canção Café au Lait

Mon Café
Onde me sentes tu que fugiste para não me olhar?
Onde te quero sentir que não te vejo?
As minhas mãos tocam as coisas sem te ver por perto
Já a minha memória sente os teus olhos, a tua boca
Saudades tuas
Do teu coração
E das coisas que não dizes a cada passo que o dia avança sem descanso
Dos teus dias perto do nosso corpo
Das manhãs ruidosas ou em silêncio
e nós dentro delas
Nós em ti

Thursday, July 26, 2012

O vazio cheio, o cheio de vazio, o vazio e as coisas para além de coisas
O corpo e a pele e as coisas com essas coisas e o som dos murmurios e qualquer momento
que não é qualquer momento. É aquela viagem do ano passado com a curta instância dos dias de agora.Os olhos fechados com a areia do ano passado e a camisola a vestir-me o sono porque o vento insistiu, num sentido onde não me encontro, cheia de pedaços, aos poucos, desmembrados ou susurrados, aos poucos a sorrir numa efeméride de rosas ou sem elas. Numa virtude mouca ou oca com os dedos dentro do peito.
A acordar num nenufar mas sem silêncio porque o silêncio é destemido e fugiu e a barriga é maior que a minha.
Os Tritões procuram sereias com pernas a degolarem poemas de um chapéu tricolor e os meus pés não se molharam na água santa

Sunday, July 15, 2012

Hoje todas as coisas se vestem de linho
Até as palavras me parecem um linho quase desfeito
Porque me parecem vielas onde eu quero ir dar
Para não me socorrer da fuga a que pertenço
E alguém veste uma blusa de linho que se transparece no corpo vago
no meio sexo , no meio olhar, na mea culpa de qualquer coisa
que está agarrada por dentro
só se mexe com o ruído de uma dor não exacta
aquela do ventre
aquela que é profunda e quase anónima
aquela que vem do princípio e que não tem fim
e que se espalha lentamente como se fosse o refrão do corpo
a falar pela alma
No linho vejo a tua sombra, os teus lábios solenes, quietos, quentes
Aguardando uma palavra sem sentido
Mas a que esperas ouvir
sem o pudor na mãos mas com ele dentro
O que se não quer ouvir ,mas que se sente
aos poucos, devagarinho, a respirar
em bicos de pés
A textura a sair da boca transparente
com laivos brancos, rugosos,secos

e o linho escasseia para contar mais segredos

Friday, July 06, 2012

Vem de trás o que é silêncio
Uma manhã no teu solo, os vestidos dançam
As palavras aquecem
E o comboio parte

Monday, July 02, 2012

Dentro de mim e de areia nos pés

O risco preto nas costas a marcar uma lembrança
e dedos finos na pele apagam o silêncio das flores
O vento nas palavras com utopias lá dentro
e assim se fez o dia
nas ondas a correrem devagar até ao corpo

Sunday, July 01, 2012

Vou lembrar-me de todas as palavras que disse e daquelas que não sei dizer
Das palavras que esqueci o movimento porque não as soletrei a tempo perdido
Das palavras que ainda quero sorrir porque envelheci dentro de nada
das palavras que me fizeram suar por te amar naquele momento em que existias de olhos fechados sem sons deambulantes a magoarem os ouvidos
Dormir a um só corpo está para além do entendimento do prazer
A virtude de te ver sorrir, mesmo com lágrimas, é aquela que me faz buscar o sonho
de te querer entender
Dentro do Absoluto vou fechando os olhos para não fugir
Dentro de mim o Absoluto de um Só Absolvido
Sem cicatrizes do Só em mim
E dançar por me sentir em Si Só
E tudo existe para além destes "rebuscanços" de uma hora tardia
Em que a manhã vai "rebuscando" e o gato passeia na madeira do chão
E o Absoluto está Presente nos nós dos dedos

Thursday, June 21, 2012

A entrar no meu Tempo vagarosamente sem me perturbar repentinamente
A entrar no meu Tempo sem o céu escurecer para me esconder
e os Homens pequeninos que se evadem pela manhã
Pausam-se
Os meus dedos colhem os Homens pequeninos
E a Senhora Gorda que ontem não caiu
Olhou-me gorda pela manhã
A tarde frustrou-me
e fui alada ao outro lado do rio
regressei à cidade da minha Luz
Abracei Nova Iorque de tranças
E as coisas com sons foram sendo coisas
E desapareci a subir pelos meus pecados de silêncio

Saturday, June 09, 2012

Quantas não sou eu mais de mim e quero ser mais, com o interludio provavel de ser eu
Com as escamas minusculas que vão caindo para o chão
Prateadas num solo escondido de negro
Com vestidos que foram saias noutras guerras esculpidas
Quantas não sou eu mais de mim e quero ser medo, com o interludio provavel de ser eu
com pés cheios de líquido de uma dança sorridente
no desejo de uma madrugada com lábios pretos de expressão
e os ventos que fazem cair o tecto de neve por cima de cabelos pensantes
Quantas não sou eu mais de mim e quero ser livre dos pós da memória que ainda não chegou
Presente receio de me afundar nos olhos de alguém e não respirar nas histórias que se contam

Quantas sou eu mais de mim por querer ser tudo e definhar na minha implacável probabilidade contagem de sonoros movimentos decrescentes até o silêncio ser mais de mim

Saturday, June 02, 2012

E o meu espectro ficou na magnólia com a cara a derreter para o chão de sementes vermelhas que cheiram a terra.
Os intrusos suspiros, suspeitos de cansaço, libertam as vozes criança. Atira o desejo ao ar e saboreia o beijo no céu vigilante onde moram os deuses mudos, nus, pálidos,mármores...
Quero visitar-te lentamente para não me assustar,passando a língua pelos dedos quentes...
Hoje estás/estou, as horas seguintes respiram sem permitir perseguições...
O açaime vigia os passos da boca para não sair poesia prematura...
Os cigarros contemplam o fumo que desmaia o corpo rebelde com vontade de não se mover...
Quanto Não me diz a Alma e se escapa para o suícidio
Imberbe coerência...
A olhar os musculos dos braços e apreciar a vontade de um manifesto sedoso...
os braços nos braços a percorrerem pele mas com profundo saber de onde não vai dar o Destino
E a Natureza impõe-se com flores brancas num jardim quieto, onde um vestido azul caminha, com passos cintilantes, na sombra de uma espera inquieta...
segrega-te/segreda-te o movimento impossivel e serás sempre ao tempo de um sonho em bicos de pés...


Wednesday, May 30, 2012

Son Lux - Leave the Riches

Põe-me de guarda ao canto da boca que adormece todos os dias...
Uma sentinela, vagarosa, impaciente que conta todos os cordeiros da noite que vivem na memória dos outros.
Atravessei o rio, escutei uma musica que não uma valsa, uma musica antes de mim
Tive a memória daqueles que a viveram
os seus passos solenes, os seus toques entre corpos, os olhos em olhares que se vão despindo com a boca entreaberta e a respiração soletrando aquele momento de qualquer coisa que se quer para além do que se move
O existir antes da vontade, o existir antes do desejo
Caminhei depois do barco se afundar num riacho pela colina que leva ao Sol antes de ele se deitar
Esvaziei a colina com as pálpebras entreabertas
Sorri para uns olhos que me assaltaram , saídos de uma porta de madeira, solene, contadora de histórias
Passei de mansinho, porque nada mais havia a falar
A caminhada prossegue com suspiros e palavras de mim para mim
Palavras minhas que me perseguem na cidade, com um solo a rastejar pela calçada, invisível...
Os meus ossos dançam neste caminho cheio de coisas cheias, os pés levitam do chão porque estou ali
E sou uma turista de olhos alegres, porque ali passo em mim, porque vou ecoar naquela rua, sem dormências do medo de ser alguém, porque os olhos se cruzam anónimos e os sorrisos são livres e a multidão é individual aos meus sons internos/eternos.
Escuto/Escuto-me
E será  assim, uma caminhada em só maior com os dentes bem afiados...

Monday, May 28, 2012

Quantos movimentos quebrados até a boca se roer em câmara lenta?
 Nada se perpetua, porque antes o esquecimento toca
 E o menino encostado deixa cair uma lágrima de ouro
 E as mãos umas contra as outras imitam-se em sons de anjos terrestres
 Os olhos polidos de cactos verdes, mordem o liquído
 Onde todos não entendem as palavras sossegadas
 E vamos ficando constrangidos, aos poucos, tocando ombros, dedos mãos, até não chegar à alma que tem a língua afiada
asinha,asinha, em língua antiga
 o segredo é antes de ser uma galinha
 sai uma mulher de um táxi e não é antiga
 Este é o som que invade uma rua que ainda não é deserta porque espreito à janela com o meu crepusculo
 Antecipado
 As coisas dos dias vão olhando para trás enquanto eu não digo uma vivalma
 Porque estou em mim, nesta liberdade bela e caótica, um quase vício
 O esplendor de morder as unhas aos poucos até se tornarem carne
 Arreliar os meus olhos com pudores pensantes
Odiar o som dos outros porque estão perto da minha solidão
 E não querer/crer mais nada senão uma tempestade de vazios com corpos que se mexem de vez em quando

 E o menino encostado deixa cair uma lágrima de ferro
E os felinos dormem
 E a minha boca adormece

Saturday, April 21, 2012

Hoje estou entre mim e a copula de um negro rasgar Todas as coisas foram palavras e olhares que secaram na descida do EU Eu sou Eu e não sou outra pessoa Vou escalavrar-me por ter cedido ao desejo de um fantoche branco que sorri com os olhos Hoje sou a ignorada de todos os dias com a vontade de me sentir em pena Hoje sou a nascida e morta ao mesmo tempo pelas palavras circunscritas abafadas por um doce Hoje sou eu, com pupilas gustativas e o coração vazio Hoje sou eu com a vontade de não existir neste reino de coisas jogadas Hoje sou eu sem vontade de ser eu, dentro de uma caixa de acrílico que não vai morrer Hoje sou eu numa estação de comboio a fazer ballet e tranças compridas a gritar por Rapunzel Hoje sou os meus dedos de unhas brancas à procura da terra Hoje sou eu à procura do rio sereno que se transfigura no meu cinzento Hoje sou eu de óculos escuros em silêncio Hoje sou eu a sentir-me cobrada Hoje sou eu a não querer nada Hoje sou eu a dançar sozinha Hoje sou eu a fechar os olhos Hoje sou eu a discíputa Hoje sou eu a quase discípula Hoje sou eu com o meu rim direito em sentido para não doer Hoje sou eu com a dor dela Hoje sou eu a desejar estar contigo meu amor Rita Hoje sou eu a desejar estar contigo meu amor Rita Mãe Hoje sou eu que me abraço no teu corpo felino Hoje sou eu a ter saudades do teu corpo felino Hoje sou Café au Lait Hoje sou eu a almejar a eternidade sem dedos para isso Hoje sou eu a deitar lágrimas ao entardecer Hoje sou eu com cigarros e vinho tinto entre quatro paredes cheias de ruídos Hoje sou eu em Nova Iorque e no Cais do Sodré a ver um tapete cor de roda Hoje sou eu no instante blasfemo e no prolongar puro Hoje sou eu em forma de coisa redonda porque não quero parecer oblíquoa Hoje sou eu com vozes rápidas atrás de mim Hoje sou eu com frio dentro de mim porque não quero chover Hoje chovi Hoje sou um lençol a cantar fado vadio Hoje sou aquilo que cegamente procuro ser, numa estante vazia

Monday, January 16, 2012

Absolute Beginners -- David Bowie (Lyrics Included)


Sentada, com um cigarro no canto do dedo

Sem esperar que o momento se aproxime
Nas coisas que são valsas, inoportunas, displicentes
Sem gaguejar de filosofias rogadas de sabedoria
Porque o coração parou
Porque não sei por onde começar a existir
Numa qualquer formula que se diz nova mas que desfaleceu no tocar de um braço adormecido...
Oiço a música adormecida de uma eternidade
Para não me sentir absoluta
Sou nas coisas que sinto, no que paira sem ser eterno
E agora vou ser mais eu, com o ranger de luvas pragueadas de sufoco
Porque amanhã oiço o carro do lixo a varrer-me a memória
No instante , tão vazio, mas tão pacífico
Porque estou em mim
E mais ninguém agradece
Porque sou eu sem deslizes de mim...


Sunday, October 09, 2011

Fink - Make it good

Um dia de coisas simples,sem "intento" de coisas mais graves...

Respirar, à espera de "nada" para falhar em sorrisos perpétuos...
Um canino em tom suave, como "nós"....
Sem palavras para continuar...
Next stop...who knows and i love it....

Wednesday, September 28, 2011

Andreas Scholl & Barbara Bonney · Stabat Mater ~ Pergolesi ·


são os meus dedos que acusam o fragmento

os cabelos caem em valsa lenta para o peito que não amamenta a noite
o silêncio do vazio está presente em cada esquina do meu corpo
um mote esquecido o de me lembrar nos braços de mim
nos meus braços o mote esquecido

Thursday, September 22, 2011


No more shall we part to fail once in a while...

Friday, September 09, 2011

Katatonia - Journey Through Pressure


Fala a língua, fala o dedo, a boca

As palavras escrevem-se na pressa das coisas
os sentidos
despenteio o cabelo com os dedos a rasgarem nas entrelinhas
As mãos na cara com o cigarro no abismo
Estou dentro e fora

Tuesday, August 23, 2011


Estou a refazer todos os medos que se insinuam...

Para engolir, diluir e sorrir...
O que os mundos distantes de ti te fazem...
As cicatrizes são ponto cruz....

Saturday, August 13, 2011

Sinto a tua falta meu felino...


SON LUX "Break"

Estou onde me encontro, brincando aos clássicos,com bonecos invisiveis e ao toque das coisas simples...

Hoje estou em mim e com os outros que amo em mim, ao pouco o regresso manifesta-se com poucas palavras...
Uma noite que se espalha pelas ruas estreitas, pelos sussurros pequenos ardidos numa carne que se come meio crua, com sorrisos entreabertos, aturdidos por palavras, contos com dentes nas palavras...
E à volta da mesa dançamos o medo dos outros e os nossos que nos massajam o joelho frio, ansiosos por uma viagem longa...
E no meio das algas insubmersas, coloridas e floreadas de um roxo tímido, assinamos com sorrisos silenciosos...
E neste rastejar de coisas, estamos juntos, com o vocabulário na superfície de um espontâneo entendimento que vai para além de nós...
Somos nesses momentos em que mais ninguém nos vê...

Tuesday, August 09, 2011

Mogwai - Take me somewhere nice

Encontro-me no lugar que toco, naquele onde todas as paredes me respiram e eu beijo, onde o chão me abraça com todos os sentidos, perpetuos ou momentâneos, onde as coisas se entrelaçam sem disturbios...

Encontro-me no pó das roupas adormecidas, quietas pelo tempo de não serem despidas...
Os dedos dos meus pés admiram a madeira envernizada em valsa respirante...
O sofá percorre cada toque de corpo adormecido...
Os quadros tortos soletram quietude...
Os lençois sem vento circundam as coisas invisiveis e eu estou nessas coisas invisiveis
As rugas das paredes desenham a memória e o sol afirma-se nelas numa manhã nua de uma cama que não está vazia, eu estou nela...
A rua está aqui perto com os seuS ruídos para eu observar, tocar a janela e partir para dentro de mim...
As insignificâncias são importâncias pequenas que se tornam grandes...
E os meus lábios vagueiam todos os copos estáticos, a cadeira que não foi sentada, o relógio que não teve corda...
E todas as coisas sublimes ou insublimes ganham vida com um cheiro vindo de um "além" real ...
Do que se sente por todas as coisas visíveis ou invisíveis mas que falam a cada momento Presente...
Estou em mim...
Obrigada

Saturday, July 23, 2011


Visto-me de unhas, tentáculos, pinças para me despirem a pele da dúvida...Today i´m a Drrrrama Queen!

Tuesday, July 19, 2011

SON LUX "STAY"

E se as minhas mãos se multiplicassem para tocarem todos os recantos, esquinas, vielas ausentes

O meu cigarro iria esmagar-se contra o chão para eu lentamente me despir das caminhadas nocturnas a que me ofereço lentamente, numa quase vida paginada pelo momento suspenso
Vou ficar por onde todos os ruídos se dispersam e dançar com o meu ouvido encostado ao chão

Tuesday, July 12, 2011

Weightless by Erika Janunger


E se nos olhássemos no mesmo tempo, o meu e o teu, se todas as coisas simples existissem ao tempo de um "nós" se vestir em silêncio...

As palavras não seriam ruidosas ou necessárias para escavarem sensações...
Trago-te nos sentidos, no corpo, na vontade do momento efémero...
Eu sou o abismo
Eu sou o pensar para além do momento
Vingo-me em mim por te querer em mim
Ausento-me de ti por te querer em mim
Porque o momento, do momento, do viver em momento,sentir em momento
Não faz a eternidade perdurar neste dueto químico
Mais perto
Mais perto de ti
Em Futuro incógnito a sorrir sem medo do corpo

Saturday, June 25, 2011


Try me...

I´m your best nightmare...

Friday, June 24, 2011

Jeff Buckley - "Hallelujah"

À minha Mãe Rita à Tânia e à Julieta

A Morte, a Vida, a despedida, o conforto, o desconforto, o medo de não mais tocar o corpo que partiu, a Mãe que deu à Luz, a Mãe que educou, teve medo, a Mãe que beijou abraçou, ensinou palavras sábias e foi guerreira. A Mãe que nos dá um beijo ao deitar e chama a Razão para dentro de nós, o Coração para fora de nós, que passa a mão pelas nossas cabeças redondas e as faz ainda mais redondas, que nos faz sair da redoma e nos empurra para viver, aos poucos ou com tudo ao mesmo tempo, com lágrimas ou sem elas, com suspiros ou refugios, a correr ou em câmara lenta, na noite ou no dia, com ou sem, mais ou menos, falhas perfeitas, demónios com asas de anjos ou apenas anjos que dormem, acordam, no primeiro beijo do seio que alimenta o corpo e alma e nos faz ser gigantes e sorri até as rugas se arrastarem pelo Tempo que é nosso e de outros, dos desconhecidos que não sabemos história, dos nossos que sabemos coisas saltitantes ou nem tanto...
A Ela, agarramo-nos com todas as forças que temos,porque a queremos para nós Sempre. Fingimos que não ouvimos o que não queremos ouvir, sussurramos-lhe ao ouvido, pé ante pé, para não nos assustarmos...Ela já sabe antes de nós sabermos que as coisas não são permanência ou impermanência, levam-nos sempre nos dentes,onde quer que vá, não nos deixa nunca, lambe-nos as feridas suavemente com língua áspera ou sedosa, felina ou canina, humana, intuitiva, eterna, moderna, eterea,carismática, suave, frágil,forte,suada, bela,simbólica, metafórica,aguda ou grave, tanto ou pouco, a dizer coisas em profundo modo, com risos ou séria, sempre a respirar por nós e por elas, sempre a sentirem as coisas más e boas, sem pudores disléxicos ou métricas inoportunas que não fluem. Sempre alerta com ou sem sentido, mas sempre alerta, porque a cria está primeiro, e as garras soletram-se uma a uma, e estão lá para nos fazer escapar da penumbra, da sombra, do invisivel que não é sadio, do visivel que se estampa nas nossas paredes. Aceitam, aceitam-nos,convictas,com verdade que nos passa pelo ombro, para trás de nós e não conseguimos voltar a cabeça para o Passado ou o Presente, porque já estamos no Futuro e desejamos viver com tudo.
Porque o almoço, o jantar, o lanche, ou a pequena coisa para trincar é sempre importante para não desfalecermos nesta incógnita corrosiva ou airosa que nos faz acordar, respirar, resmungar, sentir e adormecer. E a Mãe é sempre mágica porque nos cala com uma boa frase ou uma boa refeição, pensa em tudo até como nos devemos , sentir e Ser, mas sempre no caminho de um bom Pecado.
Mãe, MÃE, mÃE, mÃE, mãe, Mãe, Mãe,Mãe, esta palavra nunca me parece disforme....
Mama Rita I Love You.


Wednesday, June 22, 2011

Alpha - Burn Me Again


Ontem vi um Pierrot nas ruas ensurdecedoras da cidade

Gostei
Hoje vi dois lençóis repousarem numa janela embaraçados de se abraçarem
O vento
Gostei
Fui viajar a um destino que ao toque de dois dedos ninguém estava para eu me acudir
Respirei, dancei uma valsa rápida com o meu próprio corpo
Repousei num café com uma mesa para me aparar e o vento para me afugentar
O comboio fez marcha atrás e levou-me até onde pedi...
Toquei a mesma pessoa duas vezes sem saber...olhámo-nos e rimo-nos em segredo...
Eu continuei a rir num solo, em segredo para ninguém desconfiar...
Voltei à casa em que o ferrolho se encerra numa estação a meio do desejo...
E vou ditando palavras a mim própria para que me acredite sem dúvidas obscuras ou qualquer coisa parecida...
Ainda estou à minha espera para pintar as unhas de vermelho e acordar...


Saturday, June 18, 2011

Alpha - Somewhere not here

Não sei onde estar aos poucos...

Ou estou em tudo ou em nada...
Sobejo-me de estar em coisas quase pouco permanentes...
Onde sinto e não sinto, onde Deus ata a meia ao Diabo...
Em qualquer lado menos naquele onde estou, a mergulhar para ondas de penumbras que fogem...
Quero estar dentro de mim..
Onde o vento passa e sentes frio mas permaneces de olhos fechados numa toalha vigilante...
Onde os passos são silenciosos mas és tu porque sentes todas as negras...
Onde as memórias se sentam a teu lado e sentes que são memórias felizes mas que se invadem
Quase que tudo é felizmente permanente no estar Presente.
Em que Deus beija os pés sem saberes e procuras nas navegações temporárias, respiradas de mundos rebeldes a ti...
Qual o subito instante da pele em que gritas o desconforto quando o dedo de Deus te toca?
É esse, o que não sabes, mas que sentes...
Somewhere out/in here...

Wednesday, June 15, 2011

Fever Ray 'When I Grow Up'

Todos os dias te agradeço e te mando um beijo.

Sinto o teu cumprimento de bigodes infinitos no meu rosto que acorda,vive as horas e adormece.
Esta coisa de cairem gotas de olhos castanhos com pestanas faz doer porque é uma coisa que se diz saudade.
Tenho saudades tuas minha pureza...
O amor incondicional é deitar palavras para o mundo que se sentem com tanta força que nem nós conseguimos aguentá-las...são só palavras...
são menos daquilo que és...és mais, deste mais do que palavras...
Mas eu simplesmente assim sei fazer...
Palavras contigo dentro...
E aqui me repito, sempre, sem sentir que é demais ou menos, é simplesmente...

Tuesday, June 07, 2011

Vou doer-me, vais doer-me, dói-me...

Sem respirar prúridos ou coisas que se sentem...
A humildade quase pouca e egoista por te querer sentir na plenitude...
As nossas cabeças imaginam-te a saltar mundos e coisas simples
As nossas cabeças amam-te com todos os sentidos para parar o coração
Amamos-te com o coração, com a alma com todas as garras
para nos podermos arranhar...
com a tua falta...
Solene, em ti,
Solene em ti, solene ti solene em ti
Não me dês palavras
eu sou te posso dar isso
és mais do que eu por isso te sinto tanto...
tanto que as coisas mundanas se vão desmitificar para um outro lado sem fé...
Meu lindo, meu amor, meus olhos que eu amo porque os quero ler...
Por isso a justiça me visitou e me doeu...
Por ser justo partires mesmo que eu não achasse justo...
mas por Amor deixas partir...
mas por Amor deixas partir...
E uma parte de ti morre, porque sabes que deixar partir é viver...
A ti meu felino...

Friday, June 03, 2011

E se um momento deixasses de respirar

e eu deixasse de ver
sentir
E se não pudesse tocar mais na tua pele rosada cheia de sonhos transparentes e puros
E se os berlindes não fossem mais olhos para eu sorrir
Se este momento trespassasse mais que a mim
Seriamos nós, quietos, lentamente, a olharmo-nos...
Tu puro...
Eu com mágoas humanas, mas amar-te sempre...delicadamente...
Heroe em valsa lenta, num conto exemplar que desmaia...
Ainda quero que me arranques as rugas ao som pontiagudo da tua unha...
Ainda preciso do teu nariz na minha boca sem palavras...
o meu egoismo ainda precisa da tua respiração...
desculpa...
preciso de ti...
tornei-me pequenina ao pensar que não és no meus dias...
As minha mãos contraem-se, beijam-se os dedos, uns contra aos outros cheios de força...
e o resto do meu corpo, disfarça aos poucos, desapareceu aos poucos, sem legitimo lugar...

Wednesday, May 25, 2011

Gosto de sorrir sozinha...

Tuesday, May 24, 2011

joanna newsom - sprout and the bean

Café Au Lait

Pudesse eu sentir-te uma vez mais...

a meu colo...
as minhas mãos a viajarem pela tua cabeça...
A tua cabeça contra os meus dedos que estalam...
Beijar-te o nariz rosado e a tua língua a espreitar de satisfação...
O cadeirão felino e tu deitado nele
e o teu sono sonoro embalado pela música
e os teus olhos brilhantes numa janela junto ao mar e eu a contemplar-te
Abrir a porta e tu à minha espera a dançar nas minhas pernas, o teu corpo a esfregar-se no chão...
os teus olhos brilhantes, curiosos...
Posso eu ver-te assim mais dias e mais horas...
Deixa-me...
Deixa-me sentir o teu peso no meu corpo nocturno
Na minha cama que amanhece
Deixa-me abraçar-te até soltares aquele som que me faz sorrir quando te aperto...
Deixa-me ver-te correr pelo corredor, pela sala, pelo quarto, pelas cadeiras que rugem ao teu sentar
Deixa-me abrir-te a janela para veres as coisas simples lá fora...
Vou esperar por esse dia, fechar os olhos e respirar
Amo-te

Friday, May 20, 2011


Vou crispar-me sem ruídos. Adulterar-me para que os meus musculos não cedam a qualquer coisa redundante.

A veia da minha testa vai latejando ...
Make a wish and you´re dead...

Wednesday, May 18, 2011


Hoje o meu corpo tremeu ao olhar de desconhecidos, ao prazer das folhas que se desvanecem do chão e que antes abraçavam os galhos...

A chuva entrou-me nos poros sem me proteger...caminhei só, perdi-me nos jardins,vi um pato a "dormir" e fiquei com medo de dizer que morreu...
E agora vou achar estas palavras ridículas porque não se enfeitam...
O pato não se enfeitou antes de morrer...
Caminhámos três em passos duplos, assentámos os pés num chão com uma mesa por cima....
Relatamo-nos sem invasões ou sem suor, apenas com silêncios ou lábios que mais uma vez se encontram com cigarros guardados que se aguardam numa caixa silenciosa...
As palavras vão assentando-se na mesa de pedra, juntamente com as beatas...
E consumimo-nos com as ideias de nós para nós...
ausentes do medo...
Nós...

Tuesday, May 10, 2011

E se num momento me condeno ao chão mortal, respiro para não mais doer a pensar na Morte...

Hoje os lábios e unhas vermelhas, envergam uma camisa azul com um colar de pérolas feito de fingidos valores....
O cabelo arrebata-se silencioso junto á pele com uns óculos de sol satisfeitos...
E os passos sem efeitos sonoros vagueiam pelas ruas de um subúrbio sobejamente conhecido pelos pés e pela alma...

Saturday, May 07, 2011

I love it...

Blessed me...

oiço para não me escutar...

para não me sentir aos poucos
Os poucos que se intitulam renascentes
mas que morrem por uma espera eterna que não escapa ao sentido
todos vestimos uma indignação fervorosa porque sabemos o que fazer lentamente sem bocejos...
Com ou sem respostas acordamos com um destino diluído, sem respirar...
Vou espantar-me devagar porque sou sovina...

Quando todas as almas se invadem para não se escutarem

Os prelúdios pequenos, silenciosos redimem-se desconexos...
Quatro de espadas num agudo suspenso em surpreendente voz...
Na veloz voz de inquietação...
Invado-me porque não me inquieto
Sempre sem sentido...


"No more "shell" we part..."

Cage....


Tuesday, April 19, 2011

Em silêncio

Para escutar todas as passagens...

Tuesday, March 29, 2011

I feel you...

No more words to undressed feelings...

Friday, March 25, 2011


Num desfiladeiro de palavras incompletas soltam-se os pensamentos em segredo

Em tonalidades disformes, em datas não repetidas
sinto as mesmas palavras ansiosas ou sem anseio
Sinto uma viagem recolhida de memórias partilhadas
Om silêncio desvanecido
Pausas concretas
Os dedos enforcam-se
O verniz ainda brilhante sucumbe numa estática tensão
O meu memorial de palavras tocam-me o corpo hoje
Apetecia-me perguntar onde nos encontramos lúcidos


Tuesday, March 22, 2011


Na hora de uma inconsistência efémera as paredes respiram fundo e abalam-se...

Num desconhecimento de uma propriedade conhecida em surdos modos...

Vou fazer uma lista e clicar em mim própria como uma certeza indefinida e acreditar que sou um numero exclusivo....

No more words for vintage thoughts...

Thursday, March 17, 2011

E vamos desenhar desenhos na parede, fazer traços e perceber onde existimos
Tremermos por dentro...
Trocar canções e sons que nos vislumbram ou nos deixam mais frágeis
Ao solo de um Verão, com uma praia quase deserta, com os corpos molhados, com aquele desejo imberbe, quase incontrolável
Viver noites a Sul, sem querer saber onde acordar
Apenas acordar e voltar a olhar nos olhos
Fingir que outros não existem nesse sabor...
Visitar solos desconhecidos pelas palavras antigas e inventar palavras novas
Mais perto...
Mais perto de ti...
Mais perto de mim...
Nos encontros, desencontros que nos toldam o corpo e os sentidos
Mas sentir...
Ao amanhã do acordar um toque suave, uma respiração...
Mais perto...
E o Inverno sente-se, e o calor abraça, a pouco e pouco, devagarinho para espantar o medo
Medo das frieiras ou das cicatrizes
Medo das coisas simples, tal como estas palavras, simples...
A simplicidade de dois passos compassados, sem palavras
Tocando a areia
Tocando-te,tocando-me
Em ti, em mim...
Mais perto.

Amor em R. Maior

Os diálogos distantes, os silêncios presentes, sinto-te sempre.
Uma equação sempre em fios invisiveis
Queria estar com Matilde e num esgar de movimentos sem sentido estarmos para além de nós
Oiço-te ao tocar-me
Sinto a tua voz cheia de despidos rumores
Em ti
Vamos parar, falhar sem rodeios como almas cor de rosa
Dançar numa sala e partir candeeiros para depois dançar com os vestidos intermináveis que se apoderam das nossas cabeças
As palavras vão descrevendo o sim e o não, o ser e não ser, corrosivas crenças que não se abandonam
Os dedos dos pés tocam solilóquios, monólogos de nós para o vazio
Fossem os meus braços gigantes estradas e já te abraçava sem palavras, só com a pele
A seguir, um dueto, pausado, lento, com movimentos que assolam aforismos para não nos perdermos
De seguida um foco até ao branco da sombra, uma respiração
Em silêncio trocaríamos de roupa
A fuga para o frenético espaço de espelhos que não queremos olhar
Queria estar na estrada com o sol a queimar-me
Queria os óculos a tocarem na areia
Queria a noite no pátio e as conversas longas
Queria o burburinho a descer-me pela garganta
Queria os teus passos a descer as escadas a morderem a parede laranja
O dueto contínuo visita palestras infindáveis
Aqui e ali, no escuro ou na Presente luz, com palavras, sem ela...
Eu e tu, tu eu, Sempre

Thursday, March 03, 2011


be strong and be a vicious of the others needs...

If you´re not capable of carrying yourself, be gentle and let the others take care of your lost soul...

You´re safe in the state of not being

Tuesday, March 01, 2011

A manhã
Um sinal sonoro e a minha boca ouve o ruído
Uma manhã Presente e o corpo ressuscita
Os corpos deambulam pelas extremidades e por dentro
Bem fundo, para não se esquecerem
A quase noite
Apressa-me o corpo
O regresso
Em, voz, não em surdina, em voz, em cada palavra, a cada passo de uma sílaba bem dedilhada
Vou zelar pela lã cor de rosa que se enleia nas agulhas das estações que passam
O comboio a correr para apanhar o outro
As janelas cruzam-se e vários olhares mergulham
Cabelos, curtos, compridos, outros apanhados a voar pelos assentos estáticos mas não silenciosos
"Ouvi o carro, fui para a cama. Depois levantei-me, vesti a bata e fui buscar uma faca á cozinha..."no more songs for my silent hears...
Os carris ecoavam-lhe na cara, perto dos olhos
As agulhas paravam a lã cor de rosa que se desfia, á medida que as suas palavras tocavam os olhos despertos
Desfia palavras, não mundanas, as de si para si, ouvidas pelo mundo para se ouvir a si própria
Tears are dry, smile with pride
Clarice no meu colo, embalada, com a cara virada para baixo
Não se mexeu
Next stop: Myself
Até onde vai a lã cor de rosa desfiar-se?
Next stop: a lost train

Sunday, February 27, 2011

White House for solid souls

A manhã silencia-se ao ouvido, despida de palavras.
Os olhos, mornos de baço quente acordam intermitentes.
Um dedo do pé escalda o chão
Um movimento sereno arrepia-se
Dois observadores inquietos viajam entre os passos
Soil and spoiled
Ficam ausentes ao cimo das escadas
Na espera do próximo instante
Os passos apressados tocam palavras com o alcatrão sadio e fresco de uma manhã pouco lavrada
As casas correm em azul e amarelo com o sol a tocar-lhes a boca
O verde frenético invade o rugido do momento apressado
A respiração ruborizada solta-se nas oliveiras permanentes, estanques, inquietas para soltarem os pés das sua raízes e voarem com Icaro
Uma estrada com traços brancos reclama a sua setença
Respiro, sem saber
Corro, sem saber
As vozes de uma Aldeia Branca vão tocando os meus olhos, as minha mãos, os meus pés insolentes
Esta corrida que viaja por vozes masculinas, enrugadas, encostadas a um "Stop"
A paragem da "carreira" também se afirma com multidão
Respiro
Entro na "loja" da minha essência e reclamo um olhar daquela que me sente para sempre "eu"
Amo-a sempre, sempre e as palavras não existem...
A porta abre-se
Ao cimo das escadas estão á minha espera
os "ausentes" que me acordaram para respirar...
Soil and spoiled in "blank" i am...

Saturday, February 19, 2011

Cidade de ruídos virginais

A cidade fugiu-me.
um Inverno,
uma Primavera,
um Verão,
um Outono. Umas gotas geladas de Inverno

Encontrei-a.
Com os seu ruídos, as suas pessoas vagueando pelas ruas que dançam verticais.
A luz, assoma-se serena, irrompe qualquer silêncio e respira a alma.
Piso a calçada, sinto a calçada numa euforia secreta, imperturbável.
Fecho os olhos por dentro para ninguém me ver
ser invisível/indivisível para invadir...
O Presente solene nas caminhadas encontradas ou perdidas, efémeras
Uma cadeira que me senta para sentir os ruídos milagrosos de uma respiração...
Vozes anonimas que se atiram
Vão e veem, embaladas no seu discurso sôfrego, paciente, pálido
Vestes modernas, antigas, param, correm, lamentam um atraso
Uns segredam que amam, outros gritam
Há os votos de silêncio que não se comprometem com os movimentos mundanos
São oblíquos momentos que se dissipam com o cheiro da cidade
Do cheiro a castanhas, que se exalta á entrada da estação
O homem que vende livros e pinta sapatos
Seus braços viajam, enquanto a sua cabeça, procura...
palavras, sentidos, rugidos ou filtros para um cigarro...
E a cidade, continua emergente, rolante, sem o tempo contado para estórias imberbes ou redundantes.
Está em si, habita-se.
Dias coreografados, mas sempre diferentes...
Nunca ausentes...

Monday, December 06, 2010


E quando som das ondas nos segredam que nos vamos afogar para um tempo incerto, dentro de nós...

Friday, November 19, 2010

E num certo momento, em que tudo faz sentido....

Thursday, November 18, 2010

Amanhã vou respirar...
Sons felinos irão encher-me a alma...

Wednesday, November 17, 2010


Escondo-me aqui, no recato silêncio, de uma noite que não foi tempestade...

Volto á voz que me pede segredo e vou sussurrando, aos poucos...até não me conseguir deixar quase morrer.

Oiço as ondas a tocarem-me o pescoço, e, lentamente vou poisando os pés, as mãos, o corpo no desenho de um mármore para me afogar em memórias simples...


Apetece-me o ruído que vem de dentro...

Thursday, September 06, 2007

The Vanity Sessions

Wednesday, September 05, 2007

Ouvindo: Death In Vegas- Aisha

Saturday, August 18, 2007


" Estou emocionado; sinto o meu corpo como uma máquina de precisão em descanso.Eu,sim,tive verdadeiras aventuras.Não me lembro dos pormenores mas percebo o encadeamento rigorosa das circunstâncias..."
Sartre
foto:Gdansk (Polónia) Julho 2007

Friday, July 06, 2007

Love you to death (Type O Negative)

A música representa para mim, uma nobre ilustração , de grande parte da minha vida.
Os momentos mais belos, mais reflexivos, inventivos, impulsivos,todos os momentos que fazem de mim a pessoa que sou. (boa ou má...)
Tenho um grande respeito pela música e pelos seus intérpretes. Seria hipócrita generalizar, reduzo-me egoisticamente à minha play list interior/exterior, ou o que considero pertinente de valorizar ( pretensão ou não , é do coração).No entanto, sempre consciente da avidez de conhecer nova música. Aliás, inquieto-me e procuro sempre escutar nova música.
De Bach (com devidas vénias ao intérprete Glenn Gould de quem sou fã condicional ou incondicional, não sei), a Type O Negative. De Stabat Mater de Pergolesi, a Oceansize com album Effloresce, a primeira faixa ,i am the morning .
Todos eles me proporcionam uma escuta generosa, em que agradeço por todos os momentos em que existem e que pensaram em compor.
Sem mais análises puras ou impuras, agradeço àqueles que nos momentos do sentir ...
Me fizeram sentir.
Quando fechares os olhos, que música queres sentir?
Obrigada por pensares

Teatro do Mar-Daimonion
A partir do Mito de Fausto...
(espectáculo de rua, multimedia)

July 12th - Cracow (Poland)July 15th - Gdansk (Poland)July 26th - Praia de Sta. Cruz (Portugal)August the 3rd and the 4th - Frankfurt/Main (Alemanha)

Saturday, June 23, 2007

Se a tua voz madrugasse ao meu ouvido
Esta noite branca seria indivisivel
Um pormenor enfeitado de vazio

This Mortal Coil- " Help Me Lift You Up"

Saturday, May 26, 2007

Que silêncio