Dentro de mim e de areia nos pés
Monday, July 02, 2012
Sunday, July 01, 2012
Vou lembrar-me de todas as palavras que disse e daquelas que não sei dizer
Das palavras que esqueci o movimento porque não as soletrei a tempo perdido
Das palavras que ainda quero sorrir porque envelheci dentro de nada
das palavras que me fizeram suar por te amar naquele momento em que existias de olhos fechados sem sons deambulantes a magoarem os ouvidos
Dormir a um só corpo está para além do entendimento do prazer
A virtude de te ver sorrir, mesmo com lágrimas, é aquela que me faz buscar o sonho
de te querer entender
Dentro do Absoluto vou fechando os olhos para não fugir
Dentro de mim o Absoluto de um Só Absolvido
Sem cicatrizes do Só em mim
E dançar por me sentir em Si Só
E tudo existe para além destes "rebuscanços" de uma hora tardia
Em que a manhã vai "rebuscando" e o gato passeia na madeira do chão
E o Absoluto está Presente nos nós dos dedos
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Thursday, June 21, 2012
A entrar no meu Tempo vagarosamente sem me perturbar repentinamente
A entrar no meu Tempo sem o céu escurecer para me esconder
e os Homens pequeninos que se evadem pela manhã
Pausam-se
Os meus dedos colhem os Homens pequeninos
E a Senhora Gorda que ontem não caiu
Olhou-me gorda pela manhã
A tarde frustrou-me
e fui alada ao outro lado do rio
regressei à cidade da minha Luz
Abracei Nova Iorque de tranças
E as coisas com sons foram sendo coisas
E desapareci a subir pelos meus pecados de silêncio
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Saturday, June 09, 2012
Quantas não sou eu mais de mim e quero ser mais, com o interludio provavel de ser eu
Com as escamas minusculas que vão caindo para o chão
Prateadas num solo escondido de negro
Com vestidos que foram saias noutras guerras esculpidas
Quantas não sou eu mais de mim e quero ser medo, com o interludio provavel de ser eu
com pés cheios de líquido de uma dança sorridente
no desejo de uma madrugada com lábios pretos de expressão
e os ventos que fazem cair o tecto de neve por cima de cabelos pensantes
Quantas não sou eu mais de mim e quero ser livre dos pós da memória que ainda não chegou
Presente receio de me afundar nos olhos de alguém e não respirar nas histórias que se contam
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Saturday, June 02, 2012
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Wednesday, May 30, 2012
Põe-me de guarda ao canto da boca que adormece todos os dias...
Uma sentinela, vagarosa, impaciente que conta todos os cordeiros da noite que vivem na memória dos outros.
Atravessei o rio, escutei uma musica que não uma valsa, uma musica antes de mim
Tive a memória daqueles que a viveram
os seus passos solenes, os seus toques entre corpos, os olhos em olhares que se vão despindo com a boca entreaberta e a respiração soletrando aquele momento de qualquer coisa que se quer para além do que se move
O existir antes da vontade, o existir antes do desejo
Caminhei depois do barco se afundar num riacho pela colina que leva ao Sol antes de ele se deitar
Esvaziei a colina com as pálpebras entreabertas
Sorri para uns olhos que me assaltaram , saídos de uma porta de madeira, solene, contadora de histórias
Passei de mansinho, porque nada mais havia a falar
A caminhada prossegue com suspiros e palavras de mim para mim
Palavras minhas que me perseguem na cidade, com um solo a rastejar pela calçada, invisível...
Os meus ossos dançam neste caminho cheio de coisas cheias, os pés levitam do chão porque estou ali
E sou uma turista de olhos alegres, porque ali passo em mim, porque vou ecoar naquela rua, sem dormências do medo de ser alguém, porque os olhos se cruzam anónimos e os sorrisos são livres e a multidão é individual aos meus sons internos/eternos.
Escuto/Escuto-me
E será assim, uma caminhada em só maior com os dentes bem afiados...
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Monday, May 28, 2012
Quantos movimentos quebrados até a boca se roer em câmara lenta?
Nada se perpetua, porque antes o esquecimento toca
E o menino encostado deixa cair uma lágrima de ouro
E as mãos umas contra as outras imitam-se em sons de anjos terrestres
Os olhos polidos de cactos verdes, mordem o liquído
Onde todos não entendem as palavras sossegadas
E vamos ficando constrangidos, aos poucos, tocando ombros, dedos mãos,
até não chegar à alma que tem a língua afiada
asinha,asinha, em língua antiga
o segredo é antes de ser uma galinha
sai uma mulher de um táxi e não é antiga
Este é o som que invade uma rua que ainda não é deserta porque espreito à janela com o meu crepusculo
Antecipado
As coisas dos dias vão olhando para trás enquanto eu não digo uma vivalma
Porque estou em mim, nesta liberdade bela e caótica, um quase vício
O esplendor de morder as unhas aos poucos até se tornarem carne
Arreliar os meus olhos com pudores pensantes
Odiar o som dos outros porque estão perto da minha solidão
E não querer/crer mais nada senão uma tempestade de vazios com corpos que se mexem de vez em quando
E os felinos dormem
E a minha boca adormece
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Saturday, April 21, 2012
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Monday, January 16, 2012
Absolute Beginners -- David Bowie (Lyrics Included)
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Sentada, com um cigarro no canto do dedo
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Sunday, October 09, 2011
Um dia de coisas simples,sem "intento" de coisas mais graves...
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Wednesday, September 28, 2011
Andreas Scholl & Barbara Bonney · Stabat Mater ~ Pergolesi ·
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são os meus dedos que acusam o fragmento
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Thursday, September 22, 2011
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Friday, September 09, 2011

Fala a língua, fala o dedo, a boca
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Tuesday, August 23, 2011
Estou a refazer todos os medos que se insinuam...
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Saturday, August 13, 2011
Estou onde me encontro, brincando aos clássicos,com bonecos invisiveis e ao toque das coisas simples...
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Tuesday, August 09, 2011
Encontro-me no lugar que toco, naquele onde todas as paredes me respiram e eu beijo, onde o chão me abraça com todos os sentidos, perpetuos ou momentâneos, onde as coisas se entrelaçam sem disturbios...
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Saturday, July 23, 2011

Visto-me de unhas, tentáculos, pinças para me despirem a pele da dúvida...Today i´m a Drrrrama Queen!
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Tuesday, July 19, 2011
E se as minhas mãos se multiplicassem para tocarem todos os recantos, esquinas, vielas ausentes
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Tuesday, July 12, 2011

E se nos olhássemos no mesmo tempo, o meu e o teu, se todas as coisas simples existissem ao tempo de um "nós" se vestir em silêncio...
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Saturday, June 25, 2011
Friday, June 24, 2011
À minha Mãe Rita à Tânia e à Julieta
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Wednesday, June 22, 2011

Ontem vi um Pierrot nas ruas ensurdecedoras da cidade
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Saturday, June 18, 2011
Não sei onde estar aos poucos...
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Wednesday, June 15, 2011
Todos os dias te agradeço e te mando um beijo.
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Tuesday, June 07, 2011
Vou doer-me, vais doer-me, dói-me...
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Friday, June 03, 2011
E se um momento deixasses de respirar
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Wednesday, May 25, 2011
Tuesday, May 24, 2011
Café Au Lait
Pudesse eu sentir-te uma vez mais...
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Friday, May 20, 2011

Vou crispar-me sem ruídos. Adulterar-me para que os meus musculos não cedam a qualquer coisa redundante.
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Wednesday, May 18, 2011

Hoje o meu corpo tremeu ao olhar de desconhecidos, ao prazer das folhas que se desvanecem do chão e que antes abraçavam os galhos...
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Tuesday, May 10, 2011
E se num momento me condeno ao chão mortal, respiro para não mais doer a pensar na Morte...
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Saturday, May 07, 2011
oiço para não me escutar...
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Quando todas as almas se invadem para não se escutarem
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Tuesday, April 19, 2011
Tuesday, March 29, 2011
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Friday, March 25, 2011

Num desfiladeiro de palavras incompletas soltam-se os pensamentos em segredo
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Tuesday, March 22, 2011
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Thursday, March 17, 2011
E vamos desenhar desenhos na parede, fazer traços e perceber onde existimos
Tremermos por dentro...
Trocar canções e sons que nos vislumbram ou nos deixam mais frágeis
Ao solo de um Verão, com uma praia quase deserta, com os corpos molhados, com aquele desejo imberbe, quase incontrolável
Viver noites a Sul, sem querer saber onde acordar
Apenas acordar e voltar a olhar nos olhos
Fingir que outros não existem nesse sabor...
Visitar solos desconhecidos pelas palavras antigas e inventar palavras novas
Mais perto...
Mais perto de ti...
Mais perto de mim...
Nos encontros, desencontros que nos toldam o corpo e os sentidos
Mas sentir...
Ao amanhã do acordar um toque suave, uma respiração...
Mais perto...
E o Inverno sente-se, e o calor abraça, a pouco e pouco, devagarinho para espantar o medo
Medo das frieiras ou das cicatrizes
Medo das coisas simples, tal como estas palavras, simples...
A simplicidade de dois passos compassados, sem palavras
Tocando a areia
Tocando-te,tocando-me
Em ti, em mim...
Mais perto.
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Amor em R. Maior
Os diálogos distantes, os silêncios presentes, sinto-te sempre.
Uma equação sempre em fios invisiveis
Queria estar com Matilde e num esgar de movimentos sem sentido estarmos para além de nós
Oiço-te ao tocar-me
Sinto a tua voz cheia de despidos rumores
Em ti
Vamos parar, falhar sem rodeios como almas cor de rosa
Dançar numa sala e partir candeeiros para depois dançar com os vestidos intermináveis que se apoderam das nossas cabeças
As palavras vão descrevendo o sim e o não, o ser e não ser, corrosivas crenças que não se abandonam
Os dedos dos pés tocam solilóquios, monólogos de nós para o vazio
Fossem os meus braços gigantes estradas e já te abraçava sem palavras, só com a pele
A seguir, um dueto, pausado, lento, com movimentos que assolam aforismos para não nos perdermos
De seguida um foco até ao branco da sombra, uma respiração
Em silêncio trocaríamos de roupa
A fuga para o frenético espaço de espelhos que não queremos olhar
Queria estar na estrada com o sol a queimar-me
Queria os óculos a tocarem na areia
Queria a noite no pátio e as conversas longas
Queria o burburinho a descer-me pela garganta
Queria os teus passos a descer as escadas a morderem a parede laranja
O dueto contínuo visita palestras infindáveis
Aqui e ali, no escuro ou na Presente luz, com palavras, sem ela...
Eu e tu, tu eu, Sempre
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Thursday, March 03, 2011
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Tuesday, March 01, 2011
A manhã
Um sinal sonoro e a minha boca ouve o ruído
Uma manhã Presente e o corpo ressuscita
Os corpos deambulam pelas extremidades e por dentro
Bem fundo, para não se esquecerem
A quase noite
Apressa-me o corpo
O regresso
Em, voz, não em surdina, em voz, em cada palavra, a cada passo de uma sílaba bem dedilhada
Vou zelar pela lã cor de rosa que se enleia nas agulhas das estações que passam
O comboio a correr para apanhar o outro
As janelas cruzam-se e vários olhares mergulham
Cabelos, curtos, compridos, outros apanhados a voar pelos assentos estáticos mas não silenciosos
"Ouvi o carro, fui para a cama. Depois levantei-me, vesti a bata e fui buscar uma faca á cozinha..."no more songs for my silent hears...
Os carris ecoavam-lhe na cara, perto dos olhos
As agulhas paravam a lã cor de rosa que se desfia, á medida que as suas palavras tocavam os olhos despertos
Desfia palavras, não mundanas, as de si para si, ouvidas pelo mundo para se ouvir a si própria
Tears are dry, smile with pride
Clarice no meu colo, embalada, com a cara virada para baixo
Não se mexeu
Next stop: Myself
Até onde vai a lã cor de rosa desfiar-se?
Next stop: a lost train
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Sunday, February 27, 2011
White House for solid souls
A manhã silencia-se ao ouvido, despida de palavras.
Os olhos, mornos de baço quente acordam intermitentes.
Um dedo do pé escalda o chão
Um movimento sereno arrepia-se
Dois observadores inquietos viajam entre os passos
Soil and spoiled
Ficam ausentes ao cimo das escadas
Na espera do próximo instante
Os passos apressados tocam palavras com o alcatrão sadio e fresco de uma manhã pouco lavrada
As casas correm em azul e amarelo com o sol a tocar-lhes a boca
O verde frenético invade o rugido do momento apressado
A respiração ruborizada solta-se nas oliveiras permanentes, estanques, inquietas para soltarem os pés das sua raízes e voarem com Icaro
Uma estrada com traços brancos reclama a sua setença
Respiro, sem saber
Corro, sem saber
As vozes de uma Aldeia Branca vão tocando os meus olhos, as minha mãos, os meus pés insolentes
Esta corrida que viaja por vozes masculinas, enrugadas, encostadas a um "Stop"
A paragem da "carreira" também se afirma com multidão
Respiro
Entro na "loja" da minha essência e reclamo um olhar daquela que me sente para sempre "eu"
Amo-a sempre, sempre e as palavras não existem...
A porta abre-se
Ao cimo das escadas estão á minha espera
os "ausentes" que me acordaram para respirar...
Soil and spoiled in "blank" i am...
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Saturday, February 19, 2011
Cidade de ruídos virginais
A cidade fugiu-me.
um Inverno,
uma Primavera,
um Verão,
um Outono. Umas gotas geladas de Inverno
Encontrei-a.
Com os seu ruídos, as suas pessoas vagueando pelas ruas que dançam verticais.
A luz, assoma-se serena, irrompe qualquer silêncio e respira a alma.
Piso a calçada, sinto a calçada numa euforia secreta, imperturbável.
Fecho os olhos por dentro para ninguém me ver
ser invisível/indivisível para invadir...
O Presente solene nas caminhadas encontradas ou perdidas, efémeras
Uma cadeira que me senta para sentir os ruídos milagrosos de uma respiração...
Vozes anonimas que se atiram
Vão e veem, embaladas no seu discurso sôfrego, paciente, pálido
Vestes modernas, antigas, param, correm, lamentam um atraso
Uns segredam que amam, outros gritam
Há os votos de silêncio que não se comprometem com os movimentos mundanos
São oblíquos momentos que se dissipam com o cheiro da cidade
Do cheiro a castanhas, que se exalta á entrada da estação
O homem que vende livros e pinta sapatos
Seus braços viajam, enquanto a sua cabeça, procura...
palavras, sentidos, rugidos ou filtros para um cigarro...
E a cidade, continua emergente, rolante, sem o tempo contado para estórias imberbes ou redundantes.
Está em si, habita-se.
Dias coreografados, mas sempre diferentes...
Nunca ausentes...
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Monday, December 06, 2010
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Friday, November 19, 2010
E num certo momento, em que tudo faz sentido....
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Thursday, November 18, 2010
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Wednesday, November 17, 2010
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Thursday, September 06, 2007
Wednesday, September 05, 2007
Saturday, August 18, 2007
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Friday, July 06, 2007
Love you to death (Type O Negative)
A música representa para mim, uma nobre ilustração , de grande parte da minha vida.
Os momentos mais belos, mais reflexivos, inventivos, impulsivos,todos os momentos que fazem de mim a pessoa que sou. (boa ou má...)
Tenho um grande respeito pela música e pelos seus intérpretes. Seria hipócrita generalizar, reduzo-me egoisticamente à minha play list interior/exterior, ou o que considero pertinente de valorizar ( pretensão ou não , é do coração).No entanto, sempre consciente da avidez de conhecer nova música. Aliás, inquieto-me e procuro sempre escutar nova música.
De Bach (com devidas vénias ao intérprete Glenn Gould de quem sou fã condicional ou incondicional, não sei), a Type O Negative. De Stabat Mater de Pergolesi, a Oceansize com album Effloresce, a primeira faixa ,i am the morning .
Todos eles me proporcionam uma escuta generosa, em que agradeço por todos os momentos em que existem e que pensaram em compor.
Sem mais análises puras ou impuras, agradeço àqueles que nos momentos do sentir ...
Me fizeram sentir.
Quando fechares os olhos, que música queres sentir?
Obrigada por pensares
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Teatro do Mar-Daimonion
A partir do Mito de Fausto...
(espectáculo de rua, multimedia)
July 12th - Cracow (Poland)July 15th - Gdansk (Poland)July 26th - Praia de Sta. Cruz (Portugal)August the 3rd and the 4th - Frankfurt/Main (Alemanha)
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Saturday, June 23, 2007
Se a tua voz madrugasse ao meu ouvido
Esta noite branca seria indivisivel
Um pormenor enfeitado de vazio
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Saturday, May 26, 2007
Monday, April 02, 2007
Aguardo-te quieta, imóvel no invisível silêncio
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10:37 AM
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Friday, March 30, 2007
Um comboio
Lá fora tudo se ultrapassa a si mesmo sem respostas ao tempo
Os meus olhos vendados
Uma mulher recheando os seus remendos com linha fina
Duas agulhas
As mãos dançam na convalescente vontade de desenhar o linho
Os olhos fecham-se
A boca descai
Adormecem numa tempestade de fundos infinitos
O corpo estremece no ressurgir ás estações ruidosas
Acorda
Para sair
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Friday, March 23, 2007
Voz...
O meu aborrecimento por vezes leva-me a coisas...
Adoro música (pensei em escrever Amo mas não sei porquê ...).
O silêncio deste espaço não interfere com a minha paixão.
Isto tudo para dizer que quando o aborrecimento me soletra várias vezes incógnitos susurros de inquietação,tenho de respirar procurando novos festins sonoros.
Há coisas que me fazem feliz: a música é uma delas
Jeff Buckley: Há uns dias ouvi.pensei que a minha ignorância evoluiu para estupidez, isto porque já tinha ouvido mas a minha pessoa ausente naquele momento escapou-se de uma viagem sonora profunda e muito emotiva.
Sem ressentimentos para a minha pessoa que se lamenta desse passado despercebido:Jeff Buckley obrigada pelas manhãs que me tocam.
Jesu- uma nova experiência
Judgenhydrogen- Fechar os olhos e pensar em Michael Gira de Swans.Uma reinvenção.
Apse-O céu tocou...
Novas vozes e sons que me reinventam
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Thursday, March 01, 2007
Preciso de Heróis, de histórias.
Quem são os vossos Heróis.querem contar-me as sua histórias?
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Thursday, February 22, 2007
Thursday, February 15, 2007
quando dependemos de olhares incógnitos
e somos anonimos
quando essa riqueza nos passa ao lado
quando
amanha
depois
no outro dia
silenciados pelo vicio
Somos mais
Se nos olharmos...
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Monday, February 12, 2007
On Stage
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Thursday, February 08, 2007
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Friday, February 02, 2007
Avenida
"Pode ajudar-me a entrar no comboio?"
Marquês de Pombal
Mete a mão ao bolso
Parque
desembrulha um rebuçado de fruta
S. Sebastião
mastiga-o
Praça de Espanha
Quieta
Jardim Zoológico
Fala sozinha
Laranjeiras
Escuta-se
Alto dos Moinhos
Passos cuidadosos
"Se eu soubesse que fazia deslumbramento não tinha entrado no comboio, é assim. (ri)
Não sabia que fazia deslumbramento, só depois de entrar para o comboio.Enfim..."(ri)
Colégio Militar / "Luz"
"Se eu tivesse visto não acontecia.
Mas como sou cega..."(suspira)
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Tuesday, January 30, 2007
Wednesday, January 24, 2007
Hoje foi um dia cheio de luz!
Desde que o novo ano espreitou na minha boca que não me saboreava tão plena.
Há dias assim, raros, mas tenho a certeza que daqui para a frente se tornarão um quase vício.
Depois de um dia em que visitei várias vezes o Metro(Avenida, S. Sebastião, Sete Rios,Avenida, Baixa Chiado), um palmilhar fortuito de cabines escorregadias que me escapavam por entre os dedos curtos, fechei os olhos e abençoei este dia.
Se te disser que as coisa simples foram as mais inebriantes e mágicas, talvez não passem de uma coincidência ancestral com a realidade imperfeita.
Estive com a minha prima (que abençoo como se fosse irmã. Ela contou-me um segredo.)
O meu dia prosseguiu, apressadamente nas cabines escorregadias,rolantes ,de várias vidas silenciosas.
Cheguei ao submarino amarelo (diga-se: Escola Superior de Teatro e Cinema, prestes a falir porque o dinheiro foi comprar cigarros e não voltou), tudo correu bem.
Vozes que me falaram de projectos e projectos que se acordam e se assumem senhores de si mesmo , espancam-me o ouvido beijando-o carinhosamente.
Um entrar em casa para fazer tempo para uma audição.
Audição:Teatro São Carlos para figuração nas Valquírias.
As horas despejaram-se languidamente nas paredes de uma casa em Lisboa e os meus passos tremeram as calçadas e as cabines.
Quando o meu olhar alcançava o nobre edifício, de uma audição ainda incógnita, a Dona Ana, senhora que vende a revista Cais, me assaltou o olhar e o meu corpo sorriu. Comprei uns postais. Sou a Bruxa da Bondade, uma Fada, é isso, nas suas palavras que me fizeram feliz.Aquela voz e aquele corpo com o almoço da minha abençoada irmã e o segredo que partilhou comigo, fizeram do meu dia quase uma paraíso solene, silencioso só para mim.
Fiquei na audição, cremando pescoços com dentadas subtis.
Todo o meu dia ecoou ao chegar a casa, num sonâmbulo prazer.
Desejo que todos os teus dias se iluminem com todas as coisas simples.
Elas existem, nós não as vemos
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Friday, January 19, 2007
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Wednesday, January 17, 2007
Saturday, January 13, 2007
Love letter
I hold this letter in my hand
A plea, a petition, a kind of prayer
I hope it does as I have planned
Losing her again is more than
I can bear
I kiss the cold , white envelope
I press my lips against her name
Two hundred words. We live in hope
The sky hangs heavy with rain
Love letter Love letter
Go get her Go get he
Love Letter Love Letter
Go tell Go tell her
A wicked wind whips us the hill
a handful of hopeful words
I lover and alwaYS will
The sky is ready to burst
Said something I did not mean to say
Said something I did not mean to say
Said something I did not mean to say
It all came out the wrong way
Love letter Love letter
Go get her Go get her
Love letter Love letter
Go tell her Go tell her
Rain your kisses down upon on me
Rain your kisses down in storms
And for all who`ll come before me
In your slowly fading forms
I´m going out of my mind
Will leave me stading in
The rain with a letter and a prayer
Whispered on the wind
Come back to me
Come back to me
O baby please come back to me
Nick Cave
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Thursday, January 11, 2007
Se por um certo momento, incerto, as coisas se chamassem outros nomes que não os seus; todos os valores do mundo certos e errados se permitissem adulterar a eles próprio sem qualquer indicação de moral; o bem e o mal conciliado dentro de nós; a espera em consonância com a impaciência, o oposto de todas as coisas definiveis e indefiniveis surpreenderem-se sem qualquer prenuncio de pensamento profundo para não chegar à encruzilhada de sentir indecisão.
Pensar em sintonia sem massacrar quaisquer fluido ou carne. Não sentir o desespero de quem quer tomar a perfeita e absoluta certeza de agir.
A complexidade dentro de nós, corrói, muitas vezes a percepção pura e instantânea da imagem que nos assola o pensamento. Neste momento, estou envolvida com o prazo da reflexão, qual a sua verdadeira efemeridade ou eternidade ?
Existe a palavra Tempo para encontrar o que queremos ouvir? Ver, sentir? Como dar continuidade a um Presente incógnito que nos esmaga silenciosamente com interrogações daquilo que poderemos ser ou perder no próximo tempo?
No Presente anseia-se um futuro invadido por concretizações de memórias e desejos. Idealiza-se tanto no Presente, sem a consciência de que o acontecimento futuro está a tocar-nos, que quando o malogrado momento chega estamos vazios de energias que foram desbastadas por possuir aquilo que há-de vir. No instante em que nos encontramos, lá, nessa partitura infima do desejo proclamado, estamos cansados de tanto ter idealizado. “ Estás feliz? Não era o que querias?” Sentimos vergonha de dizer que sim, mas que a excitação fogosa existiu na idealização, que a concretização foi uma espera alcançada,e, que o contentamento é moderado porque as expectativas não se ultrapassaram a elas mesmas. E o que é isso de expectativas?
Esperando ansiosamente por comer uma sensação de realização profunda, imaginamos, como será. Muitas vezes existe um monólogo interior de divagação, no entanto, esse monólogo não se desenha só por nós . Não sera também por elementos exteriores?
Ouvimos monólogos, solares, lunares, liquidos, gasosos, depende do estado, de um alguém que quer viver e que deseja que vivamos o mesmo. Os nossos olhos brilham até cegarmos pelas palavras. A expectativa.
Quando caminhamos para o climax de sentir com todos os sentidos aquele monólogo exterior que nos foi dado a beber...
e...
A perfeição não existe nem aquilo que vemos dentro de nós ou aquilo que os outros nos passam como mensagem é verdadeiramente o que imaginámos.
Culpa
Um valor
Intransigente
Sentimo-la com ou sem consciÊncia
Culpa por acharmos que era como tinhamos abraçado no nosso desejo; culpa por que alguém ter beijado tão apaixonadamente o que não é realmente.
Realmente, o que é o quê?
Que direito existe nesta questão?
Talvez o único direito é certificarmo-nos, de que nada é como queriamos que fosse , e ,que , a unica culpa é essa.
Vamos tomar um gole de água benta para nos redimirmos e limparmos esta culpa, voltar as costas ao dia do julgamento e imolarmo-nos com prazer destes enigmas que somos nós para nós mesmos, até ao terceiro dia em que ressuscitarmos e errarmos na perfeição outra vez.
E assim existe o Homem: com todas as condições justas e imberbes, com todo o salivar de clichés que são, muitas vezes a sapiência de querer existir, reflectir sobre todas as coisas que nos escapam, moem, corroem, nos fazem fechar os olhos e tocar todas as coisas sem nome.
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Tuesday, January 09, 2007
Saturday, November 19, 2005
Cocteau Twins - milk and kisses
A chuva está exposta na minha janela
Vem lembrar-me de um deslizar da memória
Acordei num silêncio
Hoje vejo pessoas agitadas a passarem as suas línguas pela minha boca
Os seus dedos trespassam a minha dor e apertam-me a carne
Os líquidos transparentes gotejam a minha pele que se ilumina num sussurro...
meias de mousse pelo joelho
saia acima do joelho
Embalo-me nestes toques repousantes ao chão
Hoje, Madalena, tocou sem pudor aos olhos dos espelhos as suas meias que findam na sombra dos seus dedos
Abriu a porta e saiu sentindo que os espelhos eram olhos gotejantes
Debaixo da sua pálida transparência, anunciou-se uma mulher...
E voltou estoicamente ao barulho das montras que engolem os corpos ávidos de uma vida estática
Murmura-se a si mesma atrás de um balcão de cristal onde os principes e princesas anunciam o seu estado de desalma
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5:16 PM
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Cocteau Twins - milk and kisses
A chuva está exposta na minha janela
Vem lembrar-me de um deslizar da memória
Acordei num silêncio
Hoje vejo pessoas agitadas a passarem as suas línguas pela minha boca
Os seus dedos trespassam a minha dor e apertam-me a carne
Os líquidos transparentes gotejam a minha pele que se ilumina num sussurro...
meias de mousse pelo joelho
saia acima do joelho
Embalo-me nestes toques repousantes ao chão
Hoje, Madalena, tocou sem pudor aos olhos dos espelhos as suas meias que findam na sombra dos seus dedos
Abriu a porta e saiu sentindo que os espelhos eram olhos gotejantes
Debaixo da sua pálida transparência, anunciou-se uma mulher...
E voltou estoicamente ao barulho das montras que engolem os corpos ávidos de uma vida estática
Murmura-se a si mesma atrás de um balcão de cristal onde os principes e princesas anunciam o seu estado de desalma
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Friday, November 11, 2005
Olhando uma janela no silêncio de Bach...
No esconso vazio de uma memória acesa, arrepio as minhas formas
Sou o gelo fogo que se quer extinguir
Sou a bruma de uma nuvem desvanecida
Sou a temperatura de um corpo incendiado
Rasgo, fecho, grito, nessa tua voz de dúvida monócordica
Perpetuo os meus olhos fechados numa sagaz invenção do nunca
Que belas palavras despidas de um mundo meu
Esta noite um fio de sombra desenha-se num pasmar cor de rosa velho
Uma janela que transparece o negro do vazio que lá tem dentro
Mira os olhos com lunetas riscadas daqueles que querem ver
Sobrevivo-me com esta deslumbrante noite silenciosa que me aperta bem fundo
Sou os desenhos vibratórios de uma janela que fala
Que ausência de sentido se apodera da minha desvirtuosa imagem
Mergulho a minha língua num sensor promíscuo que tanto me pune
As palavras são palavras no desenho da memória de uma lua imaginada no coração de um céu
O anjo silencia-se na sua melodia incandescente
Fecho os olhos e ao som do anjo vejo a noite de uma terra e casa distante
As suas arcadas falando uma língua estranha que se entranha no meu corpo estático e me transparece
O piano aumenta o fôlego da minha voz pensante e sua com estrondos de faces familiares que me ofereciam copos de vinho quando a inspiração corroída não me visitava
Respiro por entre as palavras
Perdão por ouvir um violino em vez de facas
Perdão pelo pelo sorriso entre o cigarro e o seu nevoeiro
Perdão por eu sou eu e não sou outra pessoa
Este é o momento sublime do presente em que todas as formas e ruídos me desejavam uma morte feliz
Encolho-me no meu corpo indesejável para respirar a essência do único momento
Uma vez dentro
Não mais sairás/não mais sairei
E desfaço-me nestas palavras outrora lidas pelos meus olhos picados pelo murmúrio
de uma descoberta de conto de fadas com semblantes de fantasmas
Saí de mim para nunca mais voltar
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4:50 PM
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Olhando uma janela no silêncio de Bach...
No esconso vazio de uma memória acesa, arrepio as minhas formas
Sou o gelo fogo que se quer extinguir
Sou a bruma de uma nuvem desvanecida
Sou a temperatura de um corpo incendiado
Rasgo, fecho, grito, nessa tua voz de dúvida monócordica
Perpetuo os meus olhos fechados numa sagaz invenção do nunca
Que belas palavras despidas de um mundo meu
Esta noite um fio de sombra desenha-se num pasmar cor de rosa velho
Uma janela que transparece o negro do vazio que lá tem dentro
Mira os olhos com lunetas riscadas daqueles que querem ver
Sobrevivo-me com esta deslumbrante noite silenciosa que me aperta bem fundo
Sou os desenhos vibratórios de uma janela que fala
Que ausência de sentido se apodera da minha desvirtuosa imagem
Mergulho a minha língua num sensor promíscuo que tanto me pune
As palavras são palavras no desenho da memória de uma lua imaginada no coração de um céu
O anjo silencia-se na sua melodia incandescente
Fecho os olhos e ao som do anjo vejo a noite de uma terra e casa distante
As suas arcadas falando uma língua estranha que se entranha no meu corpo estático e me transparece
O piano aumenta o fôlego da minha voz pensante e sua com estrondos de faces familiares que me ofereciam copos de vinho quando a inspiração corroída não me visitava
Respiro por entre as palavras
Perdão por ouvir um violino em vez de facas
Perdão pelo pelo sorriso entre o cigarro e o seu nevoeiro
Perdão por eu sou eu e não sou outra pessoa
Este é o momento sublime do presente em que todas as formas e ruídos me desejavam uma morte feliz
Encolho-me no meu corpo indesejável para respirar a essência do único momento
Uma vez dentro
Não mais sairás/não mais sairei
E desfaço-me nestas palavras outrora lidas pelos meus olhos picados pelo murmúrio
de uma descoberta de conto de fadas com semblantes de fantasmas
Saí de mim para nunca mais voltar
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Wednesday, June 01, 2005
O Anjo
Anthony and the Jonhsons(Aula Magna, 31 de Maio de 2005)
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Wednesday, April 06, 2005
Sunday, April 03, 2005
"Tudo é ridículo quando se pensa na morte"- Thomas Bernhard
Os meus olhos só te avistavam de passagem longuinquamente de um terceiro andar furtivo. De vez em quando acenavas quando a minha voz soletrava aos teus ouvidos. Nunca conheceste as minhas quatro paredes que desembocavam num rio de estrada por onde pairavas todas as noites.
Nunca te conheci muitas palavras. Só naquelas noites em que múrmurio de gente familiar se gargalhava ou mastigava palavras dissolventes, só aí te conhecia a tua voz rouca. O olhar sério mas profundo de um enigma por descobrir. Quem foste?
Só agora me dei conta de quem foste, ou de quem gostaria de saber que foste? Será muito confuso apadrinhar estas palavras como minhas? Que estranho não saber nada de ninguém e sofrer com alma o que se sabe? Nada.
O silêncio era o que mais conhecia em ti. Que palavras me dirias, que voz terias ao falares de ti, do teu eu, feliz ou pesaroso?
Nunca te conheci. Muitas vezes me questionava quem eras tu? Um sobrevivente ou um vivente clandestino?
Não te imaginava como um eu da minha vida, mas também não te concebia como um aparte que não pudesse ver mais.
A vida tem destas coisas, ambiguamente sólidas e líquidas.
R.I.P M.P.
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